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Bruno Carreira distinguido com o Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano 2016

2017-03-23

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O investigador cE3c Bruno Carreira é o premiado da edição de 2016 do Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano. A entrega do Prémio terá lugar na Cerimónia Comemorativa do 10º aniversário do Fluviário de Mora, no próximo dia 24 de março, pelas 18h00.

 

Bruno Carreira

Bruno Carreira é distinguido pelo artigo científico “Warm vegetarians? Heat waves and diet shifts in tadpoles”, publicado na revista científica Ecology (*), desenvolvido no âmbito do seu doutoramento, sob orientação de Rui Rebelo (cE3c) e Anssi Laurila (Univ. Uppsala, Suécia). O Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano distingue anualmente desde 2010 um aluno de licenciatura, mestrado ou doutoramento que tenha publicado, como primeiro autor e no ano do concurso, um artigo sobre conservação e biodiversidade de recursos aquáticos continentais (estuários e rios).

Neste artigo os investigadores demonstram que as ondas de calor tornam os girinos mais vegetarianos. “Embora os efeitos da temperatura nos animais sejam estudados há décadas, a descoberta da influência da temperatura na dieta dos animais ectotérmicos – de sangue frio – é muito recente”, explica Bruno Carreira. “Entre 2015 e 2016 várias equipas de investigadores sediados na China, Alemanha e República Checa descobriram independentemente que os animais ectotérmicos aumentam a herbivoria a temperaturas mais elevadas. O nosso trabalho, em colaboração com a Suécia, mostra pela primeira vez que este padrão ocorre também em animais vertebrados e, em conjunto com os restantes artigos da minha tese de doutoramento, mostra que este é possivelmente um padrão ecológico generalizável a todas as espécies ectotérmicas que existem no planeta”.

As alterações climáticas em curso dão ainda maior relevância aos impactos que a alteração das dietas dos organismos ectotérmicos podem ter nos ecossistemas. Os investigadores pretendem agora determinam quais os processos que contribuem para o aumento da assimilação de matéria vegetal a temperaturas mais altas. Pretendem também avaliar o papel da microflora intestinal na assimilação da matéria vegetal: a quantidade de bactérias que ajudam à digestão no tubo digestivo pode ser influenciada pela temperatura.

Sobre a distinção com o Prémio Fluviário de Mora – Jovem Cientista do Ano 2016, Bruno Carreira refere que “é o reconhecimento da qualidade da investigação que fiz durante o doutoramento e da projeção surpreendente desta publicação”. Os resultados do artigo foram alvo de notícia um pouco por todo o mundo, e figuram inclusivamente na edição de março de 2017 da revista americana Natural History. “É muito gratificante ver o meu trabalho divulgado e premiado a estes níveis e, de certa forma, faz-me esquecer a sua má aceitação inicial, muito ligada ao facto de ser apenas um estudante de doutoramento e por estar a abordar um tema controverso com conclusões inesperadas”.

Bruno Carreira encontra-se agora a terminar e publicar os restantes artigos que produziu durante o doutoramento. Mas, quanto ao futuro, parece-lhe “pouco provável continuar em Portugal”: “O financiamento como pós-doc a partir de 2017 é apenas possível através de projetos, que serão financiados no âmbito do Horizonte 2020, e não são claras quais as alternativas para quem não desenvolve ou propõe projetos de ciência aplicada ou tecnológica. Assim, contra vontade, vou procurar posições no estrangeiro”.

O Prémio Fluviário de Mora foi lançado em 2010, tendo já distinguido mais de uma dezena de investigadores entre vencedores e menções honrosas. Em 2017, a atribuição do Prémio coincide com a celebração do 10º aniversário do Fluviário de Mora. Como parte da celebração, no dia 25 de março será oferecido bolo e champanhe a todos os visitantes.

(*) B. M. Carreira, P. Segurado, G. Orizaola, N. Gonçalves, V. Pinto, A. Laurila and R. Rebelo 2016. Warm vegetarians? Heat waves and diet shifts in tadpoles. Ecology 97. http://onlinelibrary.wiley.com/wol1/doi/10.1002/ecy.1541/abstract

 

  #ciencia  #fluviario