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| Trilhos pedestres |

Corredor Ecológico das Ribeiras de Alferreireira e Barrocas

Carlos Chambel
Pedestrianista
Guia Amador de Percursos Pedestres

2017-04-27

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Informação do trilho
Extensão: PR2 – 19 Km / PR2.1 + PR2.2 – 24 Km
Duração: 8 h 00 m
Dificuldade: Média/Baixa
Tipo de percurso: Circular
Sinalética: Percurso sinalizado em ambos os sentidos
Tipo de piso: Misto de terra, alcatrão, passadiços e pontes em  madeira, calçada
Coordenadas (início percurso): Lat. 39º 29′ 15.76”N Log. 7º 52′ 28.24”W
Entidade responsável: Câmara Municipal Gavião

Fotografias: Cila Chambel

 

Como um dos mais bonitos e encantadores trilhos da região centro do País, que ainda conserva ao longo do seu trajecto o seu estado natural e selvagem, não poderia deixar de o dar a conhecer aos leitores do blue-oak.net.

Este trilho situa-se na pequena aldeia de Atalaia, concelho de Gavião, distrito de Portalegre. É um percurso pedestre de pequena rota, marcado nos dois sentidos, segundo as normas da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. Uma infra-estrutura implementada pela Município do Gavião, que dispõe actualmente de 4 percursos pedestres sinalizados.

Um trilho que conheço muito bem e onde fazia alguns dos seus troços, nos tempos em que ia passar férias à minha aldeia natal, para a casa dos meus avós. Nos dias de mais calor íamos até à ribeira da Alferreireira para tomar banho e apanhar peixes à mão com os mais velhos.

Ainda hoje e após a implantação do percurso pedestre, mantém o seu estado natural e selvagem, onde podemos acompanhar as duas ribeiras, a das Barrocas e a da Alferreireira, com toda a sua imponente e empolgante vegetação original, que se tem mantido ao longo de muitos e muitos anos.

Na ribeira das Barrocas ainda se pode beber água, que não tem qualquer tipo de poluição, pelo facto da sua nascente, conhecida pelos “Olhos de Água”, estar situada num dos muitos vales, longe de populações e zonas poluidoras.

A ribeira da Alferreireira ainda mantém peixes que se podem apanhar à mão, debaixo das pedras (para quem sabe a técnica, claro). Esta é uma das poucas zonas do concelho do Gavião que regressou à sua origem selvagem, com o abandono das diversas actividades ligadas ao rio, como por exemplo a moagem do trigo e milho nas azenhas (quase todas deixadas ao abandono pelo homem). As poucas que ainda existem e foram recuperadas, servem apenas para o lazer e nalguns casos para que não se percam as memórias dos nossos antepassados. É o caso de uma que era do meu avô (que foi vendida e recuperada), moleiro de profissão, e onde o meu pai passou a sua adolescência a ajuda-lo.

Para uma descrição mais pormenorizada, e para quem pretender fazer o percurso, sugere-se a visita ao site do município do Gavião assim como ao folheto.

“O PR2 é um percurso pedestre com 19 quilómetros, em circuito, com início e fim na aldeia de Atalaia. Tem duas variantes: a variante dos “Olhos d’Água”, com cerca de 3 km e a variante do “Vale da Azenha” com cerca de 8 km.

 

PR2 Gavião

Inicia-se no centro da aldeia, junto ao parque infantil, na Atalaia. Ruma pela rua da Igreja e depois pela rua do Frade, passa a fonte da Lameira até à queijaria, que se encontra do lado direito. Aqui abandona a estrada de asfalto, tomando à esquerda um caminho que se dirige para a ribeira das Barrocas, onde se atravessa uma ponte de madeira.

Já no caminho para a ribeira, a 200 m da queijaria, quem optar por fazer o percurso pelo PR2.1, “variante dos Olhos d’Água” toma um caminho à direita que encaminha o pedestrianista até ao Lagar Velho e depois aos Olhos d’Água. Neste local existem várias nascentes da ribeira das Barrocas. Visitado o local, retoma-se ao Lagar Velho, atravessa-se uma cancela de uma propriedade privada, passa-se num moinho, seguindo-se por uma levada ao longo da ribeira. Passa-se outra cancela, esta mais larga que a primeira, atravessa-se uma ponte de madeira, e a cerca de 100 metros dali reencontra-se o caminho principal do PR2.

Quem decidir regressar à Atalaia, basta atravessar a ribeira na ponte de madeira situada ao lado do caminho até à aldeia. Quem optar por seguir até aos Moinhos da Foz é só seguir pelos trilhos sinalizados, ao longo da ribeira, ora pela margem esquerda, ora pela margem direita, de moinho em moinho, por um vale que outrora fervilhou de actividade agrícola e moageira.

Chegando à confluência da ribeira das Barrocas com a ribeira de Alferreireira, descobre-se ali um núcleo moageiro que outrora tivera enorme importância, não só para a Atalaia como também para as povoações vizinhas. Visitado o local, retoma-se o percurso, subindo por um estreito carreiro aberto na rocha pelos cascos dos animais de carga que ali vinham trazer o grão e dali levavam a farinha. Chegando a um pequeno largo, pode-se encurtar o passeio, optando por seguir para a Alataia pelo PR2.2, a variante do “Vale da Azenha”.

Quem quiser continuar, é só seguir pelo trilho ao longo da ribeira de Alferreireira até ao Tejo. Do lado de lá, terras de Nisa, do lado de cá Gavião. Repare-se no vale encaixado da ribeira, no verde-claro do seu coberto vegetal constituído por freixos, amieiros e salgueiros e por um sub-bosque onde abundam os loureiros, o folhado e o feto real. Constitui um corredor de rara beleza e de enorme importância para a fauna.

 

Nas encostas, azinheiras, oliveiras, medronheiros, alecrim, rosmaninho e esteva. Nas zonas mais sombrias folhado, sanguinho-das-sebes…

Por aqui vivem javalis e raposas, coelhos e lebres, saca-rabos e genetas… nas ribeiras, lontras; nas árvores, uma imensidão de aves de onde se destacam a águia-de-asa-redonda, o melro-preto, os gaios, as pegas, os piscos e junto às ribeiras, os guarda-rios… Lá para o Tejo, podem ser vistos grifos e abutres-do-Egipto, cegonha-preta e garça-real…

Rapidamente se atinge o Vale Covo cuja ribeira se atravessa numa ponte de madeira. Antes de ali chegar, avistou-se do lado de lá uma construção grande, uma antiga fábrica de fiação e preparação de lã.
Continuando ao longo da ribeira de Alferreireira, chega-se ao Tejo por um trilho que, na sua parte final, percorre uma antiga levada, em alguns locais cavada na rocha.

Chegado ao local conhecido por “Batel”(por ali haver até há pouco tempo um batel que fazia a travessia do rio para os lugares dos Outeiros, na margem norte, pertencendo os referidos lugares, também, ao concelho de Gavião) e onde existe um abrigo de pescadores, toma-se um trilho ao longo da margem do Tejo rumo ao Vale de Cerejeiras, cuja ribeira se atravessa pela ponte do muro da sirga, na confluência desta com o rio.

Agora inicia-se a subida, rumando a sul, com o Vale de Cerejeiras lá no fundo, do lado esquerdo.

Atinge-se um ponto alto de onde se avista tudo em redor, sendo esta zona conhecida por Cabril.

 

 

Rumando para sul, por caminhos largos, rapidamente se atinge a Degracia Cimeira, depois visita-se a Fonte Velha ou Fonte da Bica, ruma-se agora para a Degracia Fundeira e, por caminhos tradicionais, termina na Atalaia. Até breve!

ATALAIA

Atalaia, terra de gente hospitaleira e trabalhadora, teve o seu auge nos finais do séc. XIX e princípios do séc XX a atestar pelas muitas construções da época e por relatos orais e escritos que chegam até aos nossos dias.

As suas origens perdem-se na bruma dos tempos, devendo-se o seu nome à sua localização num ponto elevado, do qual se destaca o Alto Pina, e onde poderia ter existido uma torre de vigia ou observatório, provavelmente como ponto avançado de defesa da Vila de Gavião.

Ainda hoje, estar de atalaia significa estar alerta, estar de vigia, estar de sentinela.

Pelo privilégio de haver no seu termo duas ribeiras de caudal permanente e abundante, as ribeiras de Alferreireira e a das Barrocas ali laboraram, outrora, dezenas de azenhas, moinhos e lagares o que tornaria a Atalaia num dos maiores centros moageiros da região.

Também o vale ao longo da ribeira das Barrocas seria totalmente cultivado com hortícolas e frutas para abastecimento da população local.

Ainda hoje são visíveis ao longo das duas ribeiras cerca de 40 moinhos, alguns com três pares de mós, uns ainda em bom estado e outros já em ruínas pelo desuso e por esta prática moageira ter sido superada pelos moinhos eléctricos.

Em Agosto, era tradição realizar-se aqui uma festa em honra de Nª. Sra. Mãe dos Homens, festa esta que atrai gentes de toda a região.

PR 2.1

“Variante dos Olhos d’Água” (5 km em circuito)

Esta variante é constituída por um percurso em circuito que, saindo da Atalaia, percorre os mesmos caminhos do PR2. Passados 400m da queijaria dirige-se para o lagar Velho, na zona de nascentes da ribeira das Barrocas. Aqui chegado faz uma volta de cerca de 400 metros de visita aos “Olhos d’Água”, regressando ao mesmo lagar Velho. A seguir passa uma cancela de uma propriedade privada no sentido da corrente da ribeira, passa um moinho, depois segue ao longo da levada e da ribeira até voltar a encontrar o caminho principal do PR2. Atravessa a ribeira na ponte de madeira e regressa à Atalaia. Percurso ideal para famílias com crianças, grupos de escolas do ensino básico, etc.

Quem quiser pode continuar pelo PR2 na totalidade ou em parte.

PR 2.2

“Variante do Vale da Azenha” (2,7 km em ramal)

Esta variante permite o encurtamento do PR2, seguindo directamente dos moinhos da Foz, na confluência da Ribeira das Barrocas com a ribeira de Alferreireira, para o final/ inicio do percurso, na Atalaia.

O PR2 “Corredor Ecológico das Ribeiras Alferreireira e das Barrocas” é um percurso pedestre de pequena rota marcado, nos dois sentidos, segundo as normas da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.

 

CUIDADOS ESPECIAIS E NORMAS DE CONDUTA

 

AVISO:

Por este percurso pedestre ao longo das margens e cursos de água, nos Invernos mais chuvosos, alguns dos trilhos poderão ficar alagados e, até, submersos.
É o caso concreto do trilho ao longo do Tejo que, em situações episódicas de cheias, poderá ficar submerso no muro da sirga e na ponte sobre a ribeira do Vale de Cerejeiras pelo que, deverão os pedestrianistas tomar as precauções adequadas a estas situações.

 

CONTACTOS:

Câmara Municipal de Gavião: 241639070
Centro de Saúde: 241630010
Bombeiros Municipais: 241632122
G.N.R.: 241632222
União das freguesias de Gavião e Atalaia: 241632283

 

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