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Rota da Garganta de Loriga

Informação do trilho
Duração: 3 h 30 m
Distância: 8,770 Km
Dificuldade: Elevada
Tipo de percurso: Pequena rota linear
Sinalética: Percurso sinalizado em ambos os sentidos
Coordenadas (início percurso): Lat. 40° 20.386’ N Lng. 07° 37.137’ W (Salgadeiras)
Entidade responsável: Município de Seia e ADIRAM

 

Fotografias de José Conde (CISE)

 

A rota da Garganta de Loriga desenvolve-se ao longo do vale da ribeira da Nave, ligando o planalto superior da serra da Estrela à vila de Loriga, num desnível compreendido entre os 1838 e os 768 metros de altitude.

 

Albufeira do Covão do Meio

Há mais de 10 mil anos, um glaciar que atingiu um comprimento 6,7 quilómetros e uma espessura de 250 metros, alimentado pelo gelo que se acumulava no alto da serra, escoava pelo vale até uma altitude de 800 metros, próximo do local onde hoje se situa Loriga. Neste vale, a ação modeladora do gelo esteve na origem de uma morfologia típica das paisagens glaciárias, de que se realça uma sucessão de quatro depressões que, de montante para jusante, se designam por covões Boieiro, do Meio, da Nave e da Areia.

 

Garganta de Loriga

O percurso tem início nas Salgadeiras, portela localizada entre os vales da Candeeira e a cabeceira da ribeira da Nave, e segue para poente por um estradão que conduz aos covões Boieiro e do Meio, onde foram construídas várias infraestruturas hídricas que integram o Sistema Hidroelétrico da Serra da Estrela. A paisagem deste setor do vale é dominada por extensos afloramentos de rocha, superfícies polidas, rochas aborregadas e depressões glaciares, testemunhos de uma ação erosiva do gelo muito intensa. No covão Boieiro a ribeira assume um traçado muito sinuoso, permitindo o desenvolvimento de uma vegetação típica de zonas húmidas de montanha, que inclui cervunais, prados de altitude dominados pelo cervum, juncais, turfeiras e vegetação flutuante. Nesta área ocorrem várias espécies de plantas raras da flora portuguesa. Nos charcos encontram-se a espadana-de-folhas-estreitas e nos prados e afloramentos circundantes a campânula da Estrela, a argençana-dos-pastores e o narciso-trompeta. No covão, uma ponte em ferro cruza a ribeira e o estradão segue por uma encosta íngreme em direção ao covão do Meio, ocupado por uma ampla albufeira. Neste trajeto, o caminho passa junto a um conjunto de construções em pedra, que serviram de apoio aos trabalhos de edificação das infraestruturas hidroelétricas, e atravessa um passadiço metálico suspenso sobre o espelho de água, rumo ao paredão da barragem. Esta, construída em betão, tem uma altura de 25 metros, sendo a água aí represada desviada para a Lagoa Comprida, através de um aqueduto subterrâneo com uma longitude de 2500 metros.

 

Covão Boieiro

A partir da barragem, o trilho segue por uma vereda acidentada, em direção ao covão da Nave. Com uma configuração estreita e alongada, este covão surge enquadrado por imponentes escarpas de granito, apresentando um estado de conservação muito próximo do natural. A fauna que aqui pode ser observada está bem adaptada aos ambientes de montanha, em particular aos meios rochosos, e inclui numerosas espécies de ocorrência rara, em Portugal, como a lagartixa-da-montanha, réptil exclusivo da serra da Estrela, o falcão-peregrino, que nidifica em escarpas inacessíveis, e o melro-das-rochas, ave estival de plumagem muito colorida.

 

Lagartixa-da-montanha (Lacerta monticola) macho

A jusante, no covão da Areia, a última das depressões glaciárias do vale, encontra-se um depósito amplo de sedimentos grosseiros, que poderá estar na génese da designação toponímica do local. Nas vertentes desenvolve-se um giestal de codeço-alto, arbusto de ocorrência escassa em Portugal, e o teixo, árvore criticamente ameaçada na serra. Após o covão da Areia, o percurso segue pela vertente direita, numa área não submetida aos processos glaciários onde se distribuem de forma caótica grandes blocos rochosos, atravessando uma paisagem dominada por matos de giestas.

Na secção inferior do vale, próximo de Loriga, o trajeto segue por um caminho florestal e permite entrever um conjunto de depósitos glaciários paralelos à ribeira, constituídos por grandes blocos graníticos arredondados. Estes materiais ocupavam a extremidade inferior do glaciar e são de grande utilidade na determinação da dinâmica e extensão máxima da língua gelo. Neste setor, o itinerário atravessa ainda povoamentos de pinheiro-bravo e campos agrícolas, instalados em socalcos, em direção ao centro da vila, onde o percurso tem o seu término.

NORMAS DE CONDUTA

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